quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Jorge Jesus e a Champions: Uma relação difícil





 O Fenerbahçe de Jorge Jesus foi recentemente eliminado da segunda pré-eliminatória da liga milionária, contribuindo para mais um episódio desfavorável no histórico do treinador português nesta competição.


 Num total de 66 jogos, contando também com duelos de acesso à fase de grupos, Jorge Jesus soma 24 vitórias, 16 empates e 26 derrotas na Liga dos Campeões, o que corresponde a uma percentagem de 36% de vitórias em todos os jogos disputados. Considerando apenas a fase de grupos da competição, a percentagem de vitórias de Jorge Jesus desce para os  33%.

 

 A longa caminhada de Jorge Jesus nesta competição começou na época 2010/2011, em que o Benfica foi eliminado da competição com o terceiro lugar de um grupo liderado por Schalke 04 e Lyon.

 Na época seguinte, o Benfica viria a disputar a terceira eliminatória e o playoff de acesso à Champions, que ultrapassou com sucesso. Na fase de grupos, passou em primeiro lugar face à concorrência do Basileia e do Manchester United. Nos oitavos-de-final, ultrapassou o Zenit de São Petersburgo, sendo eliminado nos quartos-de-final diante do Chelsea. Esta foi a melhor época de Jorge Jesus na Liga dos Campeões.

 Em 2012/2013, de volta diretamente à fase de grupos, o Benfica não foi além do terceiro lugar do grupo, atrás de Barcelona e  Celtic.

 Em 2013/2014, o terceiro lugar na fase de grupos voltou a repetir-se, desta vez atrás do Paris SG e do Olympiacos.

 No ano seguinte, o Benfica de Jorge Jesus não foi mesmo além do último lugar do grupo composto por Mónaco, Bayer Lerverkusen e Zenit.

 Já como técnico do Sporting, um novo descalabro viria a cair sobre Jorge Jesus logo na época seguinte, sendo eliminado pelo CSKA de Moscovo no playoff de acesso à fase de grupos.

 O seu segundo ano de Sporting trouxe-lhe uma participação direta na fase de grupos, onde não foi além do último lugar, atrás de Borussia Dortmund, Real Madrid e Legia de Varsóvia.

 Em 2017/2018, venceu o playoff de acesso à Champions. Na fase de grupos, conseguiu o terceiro lugar, ultrapassado pelo Barcelona e pela Juventus. 

 Depois de uma longa pausa da exigência da Champions League, em que treinou na Arábia Saudita e no Brasil, Jorge Jesus volta de forma amarga com o Benfica, sendo eliminado pelo PAOK no playoff de acesso à fase de grupos.

 Na época passada, passou a terceira  pré-eliminatória e o playoff para conduzir o Benfica ao segundo lugar do grupo, apenas atrás do Bayern de Munique, antes de ser substituído por Nélson Veríssimo que viria a terminar a competição.

 

 Em suma, entre Benfica, Sporting e agora Fenerbahçe, Jorge Jesus conta com 10 participações totais na Liga dos Campeões, com apenas duas passagens aos oitavos-de-final e três qualificações falhadas para a entrada na fase de grupos.

 

 Os apreciadores de Jorge Jesus poderão queixar-se da mais-valia dos adversários presentes na Liga dos Campeões face às equipas comandadas por Jorge Jesus e da falta daquela “pontinha de sorte” nalgumas situações. Os críticos de Jorge Jesus poderão relembrar os registos de outros técnicos como Sérgio Conceição (três passagens aos oitavos-de-final em cinco anos e uma percentagem global de vitórias de 47%) ou até Rui Vitória, o primeiro sucessor de Jesus no Benfica (duas passagens aos oitavos-de-final pelo Benfica em quatro edições).


 A verdade é que, sejam quais forem os motivos para esta relação atribulada de Jorge Jesus com a liga milionária, talvez venham a estimular e consolidar ainda mais a uma relação íntima – por pouco, ainda não consumada –  que Jorge Jesus possui com um amor antigo: A Liga Europa.



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