quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Alemanha 1-2 Japão

  





 Um duelo entre duas das melhores seleções dos seus respetivos continentes é sempre prometedor.

 

 A Alemanha entrou tomando a iniciativa de jogo, como seria de esperar. No entanto, sem conseguir progredir no terreno e causar perigo. A pressão intensa sobre o portador da bola e as linhas japonesas muito organizadas, impediam a Alemanha de conseguir construir pelo centro do terreno, obrigando-os a procurar muito o jogo exterior e algumas tentativas de bolas longas. David Raum -  o lateral esquerdo alemão – mostrava-se muito projetado no terreno e oferecendo grande largura.

 

 A primeira ameaça do jogo surgiu através do Japão, aos 7 minutos de jogo, com uma excelente recuperação de bola de Daichi Kamada, lançando-se um contra-ataque rapidíssimo por parte de Junya Ito, que consegue assistir Daizen Maeda, no centro da área, para encostar para o golo! Infelizmente para os nipónicos, o lance foi anulado por fora de jogo.

 

 Só aos 16 minutos a Alemanha conseguiu criar uma oportunidade digna desse nome, com Antonio Rüdiger a cabecear pouco ao lado da baliza, na sequência de um pontapé de canto.

 

 A partir do vigésimo minuto de jogo, a Alemanha começa a conseguir encontrar a receita para jogar mais entre linhas e para progredir através do centro do terreno.

 É assim que, aos 21 minutos, a Alemanha consegue finalmente criar a sua primeira oportunidade pelo corredor central, através de uma jogada rápida que termina com Joshua Kimmich a rematar muito forte à entrada da área. Uma boa defesa do guardião japonês evita o golo.

 

 Os alemães cresciam e conseguiam empurrar mais o Japão para a sua área, tentando ameaçar através de remates à distância.

 

 Aos 32 minutos, Kimmich aproveita um raro momento de maior desorganização japonesa e faz um grande passe para Raum, totalmente sozinho no lado esquerdo e no interior da área japonesa. Este acaba derrubado por Shuichi Gonda, numa ação que parece desnecessária por parte do guardião nipónico.  İlkay Gündoğan não perdoa e faz o 1-0 para a Alemanha.

 

 A formação asiática tentava reagir. Naturalmente, com a pressão e rigor japoneses mais desvanecidos nesta fase, encontrava-se mais espaço no relvado e via-se um jogo mais repartido e sem grandes oportunidades.  

 Só aos 45 minutos volta a aparecer uma oportunidade digna de registo, com Jamal Musiala a disparar fora da área, mas por cima do alvo.

 

 Já nos descontos no primeiro tempo, Kimmich remata de novo à entrada da área, para uma boa defesa de Gonda. A bola sobra para Sèrge Gnabry, que assiste Kai Havertz para golo, mas o lance foi anulado por fora de jogo.

 Do lado do Japão, Maeda ainda tentou cabecear para o golo em resposta a um bom cruzamento, mas os japoneses foram mesmo a perder para intervalo.

 

 Os nipónicos tentavam assumir mais o jogo na segunda parte e ferir o adversário com ataques rápidos, apesar de ainda terem visto Gnabry, recebendo na direita, tentar um remate cruzado que ainda beija a parte superior da trave e, aos 47 minutos, Musiala a evitar quase toda a defesa japonesa dentro da sua área antes de rematar por cima.

 

 Num jogo ainda partido, aos 60 minutos, Gündoğan recebeu um passe no centro do terreno e rematou a bola rasteira, no limite interior da grande área. Só o poste salvou o Japão!

 

 Os ataques rápidos do Japão não se traduziam em grande perigo, mas a Alemanha também não o conseguia fazer... até ao minuto 70. Primeiro, Kimmich pica a bola sobre a defesa japonesa, para a desmarcação de Gnabry, que amortece para trás, para o remate de Jonas Hofmann contra o guarda-redes do Japão. Na sequência do lance, Rüdiger surge no vértice da grande área rematando cruzado para nova defesa - para a frente - de Gonda. Sakai permite que Musiala fique com a bola e a entregue a Raum, na esquerda, que cruza para o centro da área. Gnabry cabeceia então como mandam as leias, apontando rente ao poste direito, mas Gonda evita o golo por mais uma ocasião. Quatro boas oportunidades de rajada para a Alemanha!

 

 Ao minuto 73, foi a vez do Japão desperdiçar uma excelente dupla oportunidade. Wataru Endo pica a bola para a área alemã, Ito recebe no peito e remata de primeira, vendo depois Manuel Neuer a conseguir lançar-se junto ao relvado e a sacudir o esférico. A bola sobra para Sakai que, com Neuer batido e a baliza à sua mercê, atira por cima da trave de forma inacreditável.

 Dois minutos depois, o golo japonês aparece finalmente.  Kaoru Mitoma desmarca Takumi Minamino, já dentro da área, que remata cruzado para defesa incompleta de Neuer. A bola sobra para Ritsu Doan, que finaliza para o fundo das redes!

 

 A saída de Gündoğan - tinha sido substituído ao minuto 67 - contribuiu para retirar à equipa alemã capacidade de organização e critério na condução para o ataque, enquanto que o golo japonês pareceu ter reforçado os asiáticos com mais alguma força anímica nas suas ações.

 

 Aos 83 minutos, Takuna Asano recebe uma bola longa, vinda do seu meio-campo, e progride em velocidade até rematar junto ao poste direito. Neuer tentou fechar bem o ângulo, mas nem assim evitou a reviravolta para o Japão!

 

 Restava ao Japão baixar as linhas e aguentar as investidas alemãs. Leon Goretzka teve nos seus pés a melhorar oportunidade até ao final, com um remate de primeira após um ressalto. A bola passou bem perto do poste esquerdo, mas o resultado não mais se viria a alterar.

 

 O marcador final estabelece-se em 2-1 para o Japão, num excelente jogo que acaba a premiar a resiliência e disciplina dos samurais, e a castigar a falta de assertividade alemã.



Principais destaques individuais

 

Alemanha


Destaques positivos: 


İlkay Gündoğan



 A capacidade para começar a construir através do corredor central e criar mais perigo para a Alemanha, partiu essencialmente de Gundogan. Oferecia critério e ligação ao conjunto germânico, que ressentiu bastante a sua saída. Atirou também uma bola aos poste e tentou alguns remates a longa distância.

 

Destaques negativos:


Nico Schlotterbeck



 Fica muito mal na fotografia da reviravolta do Japão. Reage muito tarde à bola longa, colocada nas suas costas, e permite que Asano receba a bola, ganhe no duelo e atire para o golo.


Thomas Müller


 Se os seus companheiros de ataque Gnabry, Musiala ou Havertz ainda conseguiram oferecer bastante mobilidade e algumas tentativas de salientar, Thomas Müller, por seu lado, esteve completamente ausente do jogo, até ser substituído aos 67 minutos.


Japão


Destaques positivos: 


Takuma Asano



 Concretizou a reviravolta japonesa, após o domínio sublime de uma bola lançada a uma grande distância. Antes do golo, já havia sido dos que mais ameaçavam com a sua mobilidade e tentativas de se isolar na frente de ataque.


Junya Ito



 Com a sua grande mobilidade na ala, foi dos mais irrequietos e que mais procurava criar perigo ao longo de toda a partida. Também se mostrou muito ativo nos melhores momentos de pressão coletiva dos japoneses.


Destaques negativos: 

 

A equipa esteve globalmente bem e compacta, sendo difícil apontar destaques negativos. Shuichi Gonda ofereceu o penalty desnecessário que deu o primeiro golo à Alemanha, mas seria injusto nomeá-lo por esse lance após tantas boas defesas efetuados ao longo do jogo.

 O foco terá então de recair no falhanço de Hiroki Sakai à boca da baliza, assim como noutras pequenas ações como, por exemplo, o lance aos 71 minutos em que permite que Musiala tome a posse da bola, na origem do cabeceamento muito perigoso de Gnabry.




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