Catar 0-2 Equador
Num mundial controverso e envolto em polémicas antes mesmo de começar, finalmente a bola começou a rolar no jogo de abertura entre o Catar e o Equador.
Num jogo que começou dando a ideia de que ambas as equipas se apresentavam com a motivação e energia que um jogo de abertura do campeonato do mundo exige, foram precisos apenas 4 minutos para se gritar o primeiro golo no Catar. O guarda-redes Saad Al-Sheeb, numa saída desnecessária e comprometedora, em que falha o alívio, permite que Félix Torres assista Enner Valencia, que cabeceou facilmente para o fundo da baliza. Para sorte de todos os cataris, o lance viria a ser anulado por um fora de jogo milimétrico no início da jogada, precisamente pelo posicionamento pouco usual do guardião catari.
De aí em diante, também procurando várias vezes passes longos desde a linha mais recuada até à referência ofensiva, o Equador jogava a seu belo prazer, maioritariamente no meio-campo do Catar, perspetivando-se desde logo que fosse um jogo dominado pelo Equador e que provavelmente acabaria por vencer.
Aos 16 minutos, Enner Valencia marca o seu primeiro golo a contar, numa grande penalidade concretizada com muita transquilidade e classe. Numa boa desmarcação a passe de Michael Estrada, Valencia ganha a grande penalidade ao ser tocado pelo guarda-redes do Catar enquanto o contornava, num lance em que, mais uma vez, Al-Sheeb calculou mal a sua saída, demasiado lenta e tardia, e ofereceu uma grande penalidade aos equatorianos.
Seguiu-se mais domínio equatoriano, embora sem grande perigo. Estrada ainda teve uma boa oportunidade para marcar à boca da baliza, mas cabeceou, já em esforço, por cima da barra.
Sem oferecer qualquer tipo de perigo ou sequer um remate, o Catar acabou por sofrer o segundo golo aos 31 minutos, através de um excelente cruzamento de Angelo Preciado, finalizado com um cabeceamento certeiro de Enner Valencia ao canto inferior esquerdo da baliza.
Foi a partir desse momento e, perante a total incapacidade do Catar para ultrapassar a linha de meio-campo dos equatorianos, que Akram Afif tomou vincadamente a iniciativa de recuar até às zonas da primeira fase de construção para tentar desbloquear o jogo da sua seleção e impulsioná-la para zonas mais avançadas. No entanto, apesar da sua contribuição nesse capítulo ter claramente oferecido mais critério e sucesso nalguma progressão e posse de bola, faltava depois dar continuidade aos lances no último terço, onde já não poderia dar o seu contributo, acabando por tornar-se num exercício ingrato e com poucos proveitos.
Já nos descontos da primeira parte, acaba finalmente por surgir a primeira verdadeira oportunidade do Catar, num excelente cruzamento de Al Haydos para Almoez Ali, que atirou ao lado na cara do guarda-redes.
A segunda parte foi de maior contenção e menor intensidade por parte do Equador. O Catar parecia querer contrariar o comportamento da primeira parte, mas sem grande sucesso. Aos 56 minutos, Ibarra rematou para a primeira defesa de Al-Sheeb na partida.
O Equador acabou por deixar o Catar crescer um pouco, mas sempre com o controlo do jogo e sem conceder grandes oportunidades, ainda com Afif a procurar recorrentemente recuar para ajudar na primeira fase de construção.
Só no minuto 87, o recém-entrado Mohamed Muntari ameaçou realmente a baliza do Equador, ao rematar espontaneamente e a grande distância após um passe longo nas costas da defesa, tentando o chapéu a Hernán Galíndez. Caso a bola saísse ligeiramente mais baixa, o guardião equatoriano estaria batido e teríamos assistido a um excelente golo.
Em ritmo baixo e resignado, surge o último apito do árbitro: o Equador vence por 2-0, numa vitória incontestável e tranquila.
Principais destaques individuais
Equador
Destaques positivos:
Enner Valencia
Como não poderia deixar de ser, é o grande destaque deste jogo pelos seus golos e o contributo que deu na primeira parte. Aos 39 minutos de jogo, o seu joelho sofreu com uma falta dura e, desde aí, "desapareceu" do jogo em que ainda participou já visivelmente condicionado até aos 75 minutos.
Angelo Preciado
Demonstrou, desde o início, muita garra e convicção nas antecipações e disputas de bola. Com o decorrer do jogo, conseguiu também aliar ao seu contributo defensivo algumas boas incursões no ataque, inclusivamente com um excelente cruzamento para o segundo golo do jogo.
Destaques negativos:
Torna-se complicado escolher um destaque negativo quando a equipa esteve globalmente sólida e competente. Por não ter estado tanto em jogo, face à posição que ocupa e as funções que lhe são atribuídas, talvez Romario Ibarra possa ser considerado o elemento de menor destaque.
Catar
Destaques positivos:
Akram Afif
Da mesma forma que é complicado destacar negativamente algum jogador do Equador, torna-se complicado destacar alguém na equipa catari perante uma exibição tão cinzenta. No entanto, foi claro que Afif é o jogador mais evoluído e um caso à parte nesta seleção do Catar e, pelo critério que tentou oferecer e a forma como tentou alavancar a equipa, merece ser mencionado.
Destaques negativos:
Saad Al-Sheeb
Poderiam ser escolhidos vários jogadores entre uma fraca demonstração coletiva, mas, a escolher quem mais se destacou negativamente e com maior contribuição direta em ambos os golos sofridos, esse título deve ser invariavelmente atribuído a Saad Al-Sheeb.





0 comments:
Enviar um comentário