Mundial Catar 2022 - Balanço Final
O campeonato do mundo de futebol FIFA 2022 do Catar foi, seguramente, um dos mais polémicos da história, até pelo contexto tecnológico em
que vivemos atualmente e que amplifica qualquer reação.
Como em quase todas as polémicas, emergem opiniões para todos os
gostos: há quem considere que este tenha sido o melhor mundial de todos, e
alguns reiteram que se confirmou a profecia da desgraça e que este será sempre
relembrado como o mundial da vergonha.
Certo é que, para o bem ou para o mal, este mundial dificilmente será esquecido tão depressa.
Fora do campo, a organização não olhou a meios e a despesas para proporcionar aos adeptos e aos principais intervenientes as melhores condições possíveis - sempre levando em conta as regras culturais próprias do país, obviamente, que nunca geram consenso.
Na retina ficam os espetáculos de abertura dos jogos e a especial convivência entre adeptos de várias nacionalidades que a pequena dimensão de um país
organizador proporciona. O mundial realizado no médio oriente teve o condão de
atrair muitos países muçulmanos ou periféricos no que toca a tradição futebolística.
Na relva, "dentro das quatro linhas", muitos ingredientes essenciais a um bom espetáculo tiveram presença assídua nesta competição: surpresas exibicionais coletivas e individuais, resultados e eliminações inesperadas, muitos golos, equilíbrio, emoção, lances caricatos e a despedida de várias lendas.
Entre os aspetos menos positivos apontam-se algumas decisões de arbitragem questionáveis (não existem sempre?), uma postura geral excessivamente cautelosa ou defensiva durante largos períodos do jogo e escassez de brilhantismo. Este último ponto terá sido, a meu ver, o principal ponto baixo desta edição, que acaba por refletir, cada vez mais, o exigente futebol moderno. Faltou alguma magia individual, fintas, desequilíbrios, golos e jogadas que fazem capazes de levantar qualquer espetador da sua cadeira e deliciar-se com a repetição, mesmo quem habitualmente não segue a modalidade.
Globalmente, foi uma boa prova para o comum espetador, atingindo-se
o apogeu numa final absolutamente frenética, emocionante e histórica, como
qualquer bom argumentista escreveria.
Na hora de balanços finais, ficam aqui as minhas breves e principais
considerações sobre o 22º campeonato do mundo de futebol profissional - o mundial do Catar:
Melhor onze:
Principal revelação individual:
Azzedine Ounahi
Equipa revelação:
Marrocos
Melhor golo:
Principal destaque individual de cada equipa:
Países Baixos - Cody Gakpo
Senegal - Ismaila Sarr
Equador - Enner Valencia
Catar - Akram Afif
Inglaterra - Harry Kane
Estados Unidos da América - Christian Pulišić
Irão - Mehdi Taremi
País de Gales - Gareth Bale
Argentina - Lionel Messi
Polónia - Wojciech Szczęsny
México - Guillermo Ochoa
Arábia Saudita - Al Dawsari
França - Kylian Mbappé
Austrália - Harry Souttar
Tunísia - Wahbi Khazri
Dinamarca - Andreas Christensen
Japão - Ritsu Doan
Espanha - Álvaro Morata
Alemanha - Jamal Musiala
Costa Rica - Keysher Fuller
Marrocos - Sofyan Amrabat
Croácia - Luka Modrić
Bélgica - Thibaut Courtois
Canadá - Alphonso Davies
Brasil - Richarlison
Suíça - Breel Embolo
Camarões - Vincent Aboubakar
Sérvia - Aleksandar Mitrović
Portugal - Bruno Fernandes
Coreia do Sul - Cho Gue-sung
Uruguai - De Arrascaeta
Gana - Mohammed Kudus
Na memória, o que ficará de cada equipa neste mundial?
Países Baixos
- Um futebol ultra defensivo e enfadonho para o talento que possui.
- O "bis" de Weghorst contra a Argentina e o "livre estudado" no último lance do jogo.
Senegal
- A ausência de Sadio Mané.
- A passagem aos oitavos de final.
Equador
- Um super Enner Valencia.
- A luta pelo apuramento até ao fim.
Catar
- Exibições muito pobres e a desilusão do anfitrião.
Inglaterra
- A goleada inaugural ao Irão.
- O início promissor do jovem Bellingham em campeonatos do mundo.
- Mais uma grande penalidade decisiva falhada por Harry Kane.
- A eliminação frente à França nos quartos de final.
Estados Unidos da América
- A passagem aos oitavos de final.
- Uma equipa muito forte fisicamente e um meio campo revelação, muito trabalhador.
Irão
- A tensão vivida no país e o seu efeito na equipa.
- A goleada sofrida frente a Inglaterra.
País de Gales
- Uma equipa limitada, sem capacidade ofensiva.
Argentina
- A derrota inicial frente à Arábia Saudita.
- O incrível espírito coletivo em torno de Messi.
- O sofrimento final contra os Países Baixos.
- A final de loucos contra a França.
- A consagração como campeões do mundo.
- Messi, Messi, Messi.
Polónia
- Um super Szczęsny.
- Um futebol muito pobre e demasiado defensivo.
- A equipa com o futebol menos atrativo na passagem aos oitavos de final.
México
- Um futebol muito pobre e faltoso.
- A despedida de Guillermo Ochoa de mundiais.
Arábia Saudita
- A vitória inaugural contra a Argentina, que deu feriado nacional.
- Uma surpresa positiva no futebol praticado.
França
- As lesões e baixas na convocatória, incluindo Benzema.
- Uma equipa muito sólida, por ventura com maior qualidade individual à disposição.
- A final de loucos contra a Argentina e a consagração como vice-campeão do mundo.
- A exibição de Kylian Mbappé na final e a sua coroação como melhor marcador da prova.
Austrália
- A passagem aos oitavos de final, representando a Oceânia.
- Pouca capacidade ofensiva.
Tunísia
- A vitória sobre a França.
Dinamarca
- O último lugar do grupo e a desilusão total.
Japão
- Carrasco da Alemanha e da Espanha, vencendo ambas.
- A passagem aos oitavos de final.
- A disciplina e mentalidade japonesas, fora e dentro de campo.
Espanha
- As invulgares streams de Luis Enrique.
- A goleada inaugural frente à Costa Rica.
- O empate contra a Alemanha.
- A derrota contra o Japão.
- A eliminação nos oitavos de final perante Marrocos, com muita posse e pouco perigo.
Alemanha
- O polémico gesto coletivo a tapar a boca no jogo inaugural.
- A derrota contra o Japão.
- O empate contra a Espanha.
- O início promissor do jovem Musiala em campeonatos do mundo.
- Füllkrug, a arma secreta "desconhecida".
- Uma nova eliminação na fase de grupos do mundial.
Costa Rica
- A goleada sofrida com a Espanha, no jogo inaugural.
- A vitória surpreendente frente ao Japão.
- Os breves minutos em que empurrava simultaneamente a Espanha e a Alemanha para a eliminação na fase de grupos.
Marrocos
- A passagem aos oitavos de final em primeiro lugar, no grupo da Bélgica e da Croácia.
- Uma muralha defensiva, muito difícil de quebrar.
- A eliminação da Espanha e de Portugal.
- A equipa-sensação da prova.
- A primeira equipa africana a alcançar as meias finais do campeonato do mundo.
Croácia
- Uma equipa muito experiente e difícil de bater.
- A eliminação do Brasil.
- O terceiro lugar na prova após ter sido vice-campeã.
- A despedida de Luka Modrić.
Bélgica
- Uma geração envelhecida e as polémicas no seio do grupo.
- As exibições dececionantes e os falhanços de Lukaku no último jogo.
- A eliminação na fase de grupos.
Canadá
- O jogo inaugural frente à Bélgica, em que merecia outro desfecho.
- O futebol inocente, mas muito ofensivo e positivo.
Brasil
- O golaço de Richarlison frente à Sérvia.
- As exibições prometedoras e o futebol com mais magia no mundial.
- A eliminação inesperada frente à Croácia, nos oitavos de final.
- O excesso de confiança brasileira antes do desalento.
Suíça
- O jogo "quente" contra a Sérvia.
- A passagem à fase a eliminar.
- A goleada sofrida frente a Portugal, nos oitavos de final.
Camarões
- O desentendimento entre o guarda-redes Onana e o selecionador.
- O espetáculo de futebol no jogo inaugural, contra a Sérvia.
- A vitória sobre o Brasil.
Sérvia
- O espetáculo de futebol no jogo inaugural, contra os Camarões.
- O jogo "quente" frente à Suíça.
Portugal
- A goleada e exibição fantástica frente à Suíça.
- A eliminação frente a Marrocos, nos quartos de final.
- O desaproveitamento de uma das melhores gerações de sempre.
- O adeus a Cristiano Ronaldo.
Coreia do Sul
- A passagem épica aos oitavos de final da prova.
- Um futebol positivo e uma atitude resiliente.
Uruguai
- Um futebol muito pobre e ultra defensivo face à qualidade dos seus jogadores.
- A eliminação na fase de grupos.
Gana
- As grandes dificuldades criadas a Portugal no jogo inaugural.
- A ascensão de um jovem promissor: Mohammed Kudus.
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