segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Mundial Catar 2022 - Balanço Final

 

 O campeonato do mundo de futebol FIFA 2022 do Catar foi, seguramente, um dos mais polémicos da história, até pelo contexto tecnológico em que vivemos atualmente e que amplifica qualquer reação.

 Como em quase todas as polémicas, emergem opiniões para todos os gostos: há quem considere que este tenha sido o melhor mundial de todos, e alguns reiteram que se confirmou a profecia da desgraça e que este será sempre relembrado como o mundial da vergonha.

 Certo é que, para o bem ou para o mal, este mundial dificilmente será esquecido tão depressa.

 Fora do campo, a organização não olhou a meios e a despesas para proporcionar aos adeptos e aos principais intervenientes as melhores condições possíveis - sempre levando em conta as regras culturais próprias do país, obviamente, que nunca geram consenso. 

 Na retina ficam os espetáculos de abertura dos jogos e a especial convivência entre adeptos de várias nacionalidades que a pequena dimensão de um país organizador proporciona. O mundial realizado no médio oriente teve o condão de atrair muitos países muçulmanos ou periféricos no que toca a tradição futebolística.

 

 Na relva, "dentro das quatro linhas", muitos ingredientes essenciais a um bom espetáculo tiveram presença assídua nesta competição: surpresas exibicionais coletivas e individuais, resultados e eliminações inesperadas, muitos golos, equilíbrio, emoção, lances caricatos e a despedida de várias lendas. 

 Entre os aspetos menos positivos apontam-se algumas decisões de arbitragem questionáveis (não existem sempre?), uma postura geral excessivamente cautelosa ou defensiva durante largos períodos do jogo e escassez de brilhantismo. Este último ponto terá sido, a meu ver, o principal ponto baixo desta edição, que acaba por refletir, cada vez mais, o exigente futebol moderno. Faltou alguma magia individual, fintas, desequilíbrios, golos e jogadas que fazem capazes de levantar qualquer espetador da sua cadeira e deliciar-se com a repetição, mesmo quem habitualmente não segue a modalidade.

 

 Globalmente, foi uma boa prova para o comum espetador, atingindo-se o apogeu numa final absolutamente frenética, emocionante e histórica, como qualquer bom argumentista escreveria.

 


 Na hora de balanços finais, ficam aqui as minhas breves e principais considerações sobre o 22º campeonato do mundo de futebol profissional - o mundial do Catar:


Melhor onze:




Principal revelação individual:

Azzedine Ounahi



Equipa revelação:

Marrocos



Melhor golo:



Principal destaque individual de cada equipa:


Países Baixos - Cody Gakpo

Senegal - Ismaila Sarr

Equador - Enner Valencia

Catar - Akram Afif

Inglaterra - Harry Kane

Estados Unidos da América - Christian Pulišić

Irão - Mehdi Taremi

País de Gales - Gareth Bale

Argentina - Lionel Messi

Polónia - Wojciech Szczęsny

México - Guillermo Ochoa

Arábia Saudita - Al Dawsari

França - Kylian Mbappé

Austrália - Harry Souttar

Tunísia - Wahbi Khazri

Dinamarca - Andreas Christensen

Japão - Ritsu Doan

Espanha - Álvaro Morata

Alemanha - Jamal Musiala

Costa Rica - Keysher Fuller

Marrocos - Sofyan Amrabat

Croácia - Luka Modrić

Bélgica - Thibaut Courtois

Canadá - Alphonso Davies

Brasil - Richarlison

Suíça - Breel Embolo

Camarões - Vincent Aboubakar

Sérvia - Aleksandar Mitrović

Portugal - Bruno Fernandes

Coreia do Sul - Cho Gue-sung

Uruguai - De Arrascaeta

Gana - Mohammed Kudus



Na memória, o que ficará de cada equipa neste mundial?


Países Baixos 

  • Um futebol ultra defensivo e enfadonho para o talento que possui. 
  • O "bis" de Weghorst contra a Argentina e o "livre estudado" no último lance do jogo. 


Senegal 

  • A ausência de Sadio Mané. 
  • A passagem aos oitavos de final.


Equador

  • Um super Enner Valencia. 
  • A luta pelo apuramento até ao fim.

Catar 

  •  Exibições muito pobres e a desilusão do anfitrião.


Inglaterra 

  • A goleada inaugural ao Irão. 
  • O início promissor do jovem Bellingham em campeonatos do mundo.
  • Mais uma grande penalidade decisiva falhada por Harry Kane. 
  • A eliminação frente à França nos quartos de final.


Estados Unidos da América

  • A passagem aos oitavos de final. 
  • Uma equipa muito forte fisicamente e um meio campo revelação, muito trabalhador.


Irão 

  • A tensão vivida no país e o seu efeito na equipa. 
  • A goleada sofrida frente a Inglaterra.


País de Gales 

  • Uma equipa limitada, sem capacidade ofensiva.


Argentina 

  • A derrota inicial frente à Arábia Saudita. 
  • O incrível espírito coletivo em torno de Messi. 
  • O sofrimento final contra os Países Baixos. 
  • A final de loucos contra a França. 
  • A consagração como campeões do mundo. 
  • Messi, Messi, Messi.


Polónia 

  • Um super Szczęsny. 
  • Um futebol muito pobre e demasiado defensivo. 
  • A equipa com o futebol menos atrativo na passagem aos oitavos de final.


México 

  • Um futebol muito pobre e faltoso. 
  • A despedida de Guillermo Ochoa de mundiais.


Arábia Saudita 

  • A vitória inaugural contra a Argentina, que deu feriado nacional. 
  • Uma surpresa positiva no futebol praticado.


França  

  • As lesões e baixas na convocatória, incluindo Benzema.
  • Uma equipa muito sólida, por ventura com maior qualidade individual à disposição. 
  • A final de loucos contra a Argentina e a consagração como vice-campeão do mundo.
  • A exibição de Kylian Mbappé na final e a sua coroação como melhor marcador da prova. 

Austrália 

  • A passagem aos oitavos de final, representando a Oceânia. 
  • Pouca capacidade ofensiva.


Tunísia 

  • A vitória sobre a França.


Dinamarca 

  • O último lugar do grupo e a desilusão total.


Japão 

  • Carrasco da Alemanha e da Espanha, vencendo ambas. 
  • A passagem aos oitavos de final. 
  • A disciplina e mentalidade japonesas, fora e dentro de campo.


Espanha 

  • As invulgares streams de Luis Enrique.
  • A goleada inaugural frente à Costa Rica. 
  • O empate contra a Alemanha. 
  • A derrota contra o Japão. 
  • A eliminação nos oitavos de final perante Marrocos, com muita posse e pouco perigo. 


Alemanha 

  • O polémico gesto coletivo a tapar a boca no jogo inaugural.
  • A derrota contra o Japão.
  • O empate contra a Espanha. 
  • O início promissor do jovem Musiala em campeonatos do mundo.
  • Füllkrug, a arma secreta "desconhecida". 
  • Uma nova eliminação na fase de grupos do mundial.


Costa Rica 

  • A goleada sofrida com a Espanha, no jogo inaugural. 
  • A vitória surpreendente frente ao Japão. 
  • Os breves minutos em que empurrava simultaneamente a Espanha e a Alemanha para a eliminação na fase de grupos.


Marrocos 

  • A passagem aos oitavos de final em primeiro lugar, no grupo da Bélgica e da Croácia. 
  • Uma muralha defensiva, muito difícil de quebrar. 
  • A eliminação da Espanha e de Portugal.
  • A equipa-sensação da prova.
  • A primeira equipa africana a alcançar as meias finais do campeonato do mundo. 

Croácia  

  • Uma equipa muito experiente e difícil de bater.
  • A eliminação do Brasil. 
  • O terceiro lugar na prova após ter sido vice-campeã. 
  • A despedida de Luka Modrić.


Bélgica 

  • Uma geração envelhecida e as polémicas no seio do grupo. 
  • As exibições dececionantes e os falhanços de Lukaku no último jogo.
  • A eliminação na fase de grupos. 


Canadá 

  • O jogo inaugural frente à Bélgica, em que merecia outro desfecho. 
  • O futebol inocente, mas muito ofensivo e positivo.


Brasil 

  • O golaço de Richarlison frente à Sérvia. 
  • As exibições prometedoras e o futebol com mais magia no mundial. 
  • A eliminação inesperada frente à Croácia, nos oitavos de final.
  • O excesso de confiança brasileira antes do desalento.


Suíça 

  • O jogo "quente" contra a Sérvia. 
  • A passagem à fase a eliminar. 
  • A goleada sofrida frente a Portugal, nos oitavos de final.


Camarões 

  • O desentendimento entre o guarda-redes Onana e o selecionador.
  • O espetáculo de futebol no jogo inaugural, contra a Sérvia.
  • A vitória sobre o Brasil. 

Sérvia 

  • O espetáculo de futebol no jogo inaugural, contra os Camarões.
  • O jogo "quente" frente à Suíça. 


Portugal 

  • A goleada e exibição fantástica frente à Suíça.
  • A eliminação frente a Marrocos, nos quartos de final. 
  • O desaproveitamento de uma das melhores gerações de sempre. 
  • O adeus a Cristiano Ronaldo. 


Coreia do Sul

  • A passagem épica aos oitavos de final da prova. 
  • Um futebol positivo e uma atitude resiliente.


Uruguai 

  • Um futebol muito pobre e ultra defensivo face à qualidade dos seus jogadores.
  • A eliminação na fase de grupos. 


Gana 

  • As grandes dificuldades criadas a Portugal no jogo inaugural. 
  • A ascensão de um jovem promissor: Mohammed Kudus.




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