segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Senegal 0-2 Países Baixos

 



A baixa de Sadio Mané na seleção do Senegal foi um duro golpe, mas esperava-se à partida, mesmo assim, um campeão africano em título a dar luta a uma das melhores seleções da Europa.


 A equipa do Senegal entrou atrevida na partida, demonstrando desde logo a vontade de atacar o adversário sempre que possível, assim como um posicionamento avançado e uma pressão alta. Os Países Baixos procuravam maior posse e atacar também sempre que possível, num futebol mais apoiado.


 O primeiro lance capaz de provocar alguns calafrios até veio por parte dos Países Baixos, num cruzamento rasteiro de Gakpo para o centro da área adversária, mas que não encontrou nenhum colega. Por pouco Steven Bergwijn não chegou para o último toque!

  Ainda assim, foi o Senegal que, de forma geral, mais se aproximou da baliza adversária numa primeira fase do jogo, tendo inclusivamente maior ascendente de posse de bola nalguns momentos, mas sem oportunidades flagrantes.


 Aos 18 minutos de jogo, num contra-ataque dos Países Baixos e com a equipa do Senegal descompensada, Frenkie de Jong, em corrida, recebe a bola de Vincent Janssen e aparece numa boa situação para finalizar, mas tenta adornar o lance e permite a chegada e organização dos jogadores senegaleses, que acabam por afastar o perigo.


 O jogo dividia-se em algumas oportunidades e aproximações à baliza de parte a parte, mas sem que se materializassem em remates enquadrados à baliza.

 A rápida reação dos médios e a velocidade do trio atacante do Senegal prometiam vir a criar dificuldades, sendo que Ismaila Sarr foi dos mais inconformados e ativos na primeira parte. A maior dificuldade dos senegaleses verificava-se na hora de tomar uma decisão no último terço do terreno e na capacidade de criar verdadeiro perigo às redes do oponente.


 Sensivelmente depois da meia hora de jogo, o Senegal começava a adotar uma postura de maior contenção e em tentativa de explorar o contra-ataque, sem abdicar de tentar ferir o adversário. A laranja mecânica, por sua vez, crescia no controlo da bola, mas sem alcançar oportunidades de destaque.


 No minuto 41, Steven Berghuis dispõe finalmente de uma boa chance para rematar à baliza em zona frontal, à entrada da área, mas atira por cima.


 A primeira parte termina num nulo e sem um lance de suster a respiração perante uma sensação de iminência de um golo. Ainda assim, apresentaram-se em campo duas equipas à procurar da vitória e um futebol fluído, faltando alguma objetividade e engenho.


 A postura das duas seleções manteve-se no início da segunda parte, com o Senegal a tentar explorar mais a velocidade das suas flechas da frente e os neerlandeses a conseguirem controlar um pouco mais a bola, ainda com dificuldades em ultrapassar o sólido conjunto africano.


 A primeira boa oportunidade do segundo tempo surgiu por intermédio de Virgil van Dijk, aos 53 minutos, elevando-se bem na sequência de um pontapé de canto e cabeceando um pouco por cima da trave.


 Sempre que conseguia, o Senegal não se inibia de se soltar para o ataque rápido. Aos 64 minutos, Boulaye Dia encontra um belo passe de desmarcação de Krépin Diatta entre van Dijk e Daley Blind, e remata forte ao canto inferior direito da baliza. Andries Noppert evitou o primeiro golo do jogo com uma excelente defesa!

 Aos 72 minutos, foi a vez de Sarr assistir para o centro de área, onde Idrissa Gueye dispara outro remate forte em direção à baliza neerlandesa, bloqueado por mais uma intervenção do guarda-redes.


 Quando se poderia pensar que o Senegal ameaçava o golo inaugural a qualquer instante, eis que, aos 84 minutos, Frenkie de Jong tira um coelho da cartola. Com a equipa do Senegal recuada, o médio neerlandês vê o movimento de desmarcação de Gakpo da direita para o centro das costas da defesa, para onde eximiamente coloca a bola em arco. Gakpo não desaproveita a oferta e desvia subtilmente de cabeça para o golo. Édouard Mendy procurou sair da baliza e socar a bola antes do cabeceamento, mas sem sucesso.

 Pape Gueye respondeu, três minutos depois, com um grande remate fora da área. A mira estava novamente apontada ao canto inferior direito da baliza, e, novamente também, Andries Noppert consegue desviar o esférico, agora obrigado a lançar-se ainda mais.


 A formação africana procurava o empate no pouco tempo que lhe restava, mas foram os Países Baixos que sentenciaram o encontro, aos 99 minutos. De um pontapé longo do guarda-redes para uma disputa entre dois jogadores, a bola sobra para Memphis Depay, mais à frente, que fica com o caminho livre para enfrentar Kalidou Koulibaly no limite da grande área. Depay flecte para o meio e remata de pé esquerdo. Mendy defende mas não consegue evitar que a bola escape para a sua frente, ficando à mercê para uma recarga de Davy Klaasen. Mendy ainda toca na bola, em desespero, mas não consegue evitar o segundo golo neerlandês no último lance do encontro.


 O duelo termina com vitória europeia, por 2-0. Perante um clássico candidato, o Senegal deixa uma excelente réplica, proporcionando um bom espetáculo de onde, feito o rescaldo, poderia perfeitamente também ter saído vitorioso.




Principais destaques individuais

 

Senegal


Destaques positivos: 


Idrissa Gueye



 Num meio-campo senegalês muito batalhador e de qualidade, Gueye foi incansável, ora a atacar, ora a disputar bolas e a defender. Principalmente na segunda parte, foi o principal impulsionador do ataque do Senegal, promovendo sempre transições rápidas para a dianteira. Teve também uma boa oportunidade para marcar, mas que foi negada pelo guarda-redes.

 

Destaques negativos:

 É ingrato colocar um jogador nos destaques negativos apenas por um erro ou algum lance menos conseguido, mas perante a exibição sólida do Senegal, resta talvez apontar uma abordagem eventualmente menos feliz do guarda-redes Édouard Mendy no primeiro golo. No 2-0, talvez também pudesse ter evitado que a bola acabasse nos pés de Klaasen. Longe de serem erros de palmatória, fica este registo, já que as exibições individuais dos senegaleses foram globalmente competentes.

 

 

Países Baixos


Destaques positivos: 


Andries Noppert



 Na sua primeira internacionalização, não tremeu e salvou a sua seleção com duas defesas a reter. Primeiro, no remate de Dia, que daria o 1-0 para o Senegal. Depois, no remate de Pape Gueye, que daria o empate. Também se pode acrescentar a boa defesa ao remate de Idrissa Gueye, ainda que mais fácil, e a sua contribuição no lance do segundo golo neerlandês. Foi decisivo para alcançar a vitória.


Frenkie de Jong



 É verdade que teve alguns erros e abordagens arriscadas que poderiam ter custado caro à sua seleção, assim como é verdade que foi sempre dos que mais procurou levar a sua equipa para a frente. Juntando a assistência sublime que fez para o golo que desbloqueou o marcador, sem dúvida que merece um destaque.


Destaques negativos: 

 Houve vários elementos que pouco acrescentaram ao jogo do lado neerlandês mas, entre eles, talvez Steven Bergwijn possa ser apontado como a figura que mais passou ao lado, até pelo seu tempo em campo - 78 minutos.




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